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Matisse: cores em qualquer improviso
Divulgação

Por Junia Teixeira
A cada dia tenho mais certeza de que o suporte, base ou matéria-prima escolhida pelo artista para representar sua obra é tão importante quanto os resultados. A colagem, técnica com papéis e outros materiais, é um ótimo exemplo do valor desse material, especialmente nas mãos de Matisse, Picasso ou da contemporânea Beatriz Milhazes.
Matisse deu à sua arte um padrão decorativo. E isso não diminui sua grandiosidade artística, ao contrário, ele conseguiu com simples efeitos colocar figuras humanas, ou da natureza, em iguais patamares às de flores nos papéis de paredes de um quadro ou nos forros de mesas. É a completude, a correspondência, todos os elementos estão interligados. Cores fortes e traços firmes brincam com a idéia da arte primitiva.
Com a idade e problemas de saúde, Matisse não pôde mais pintar. É nesse momento que os papéis ganham vida, formas, estórias. Os pincéis foram trocados por tesouras e a arte não deixou de impressionar.
Matisse pintava os papéis com guache e depois recortava diretamente na cor. A coletânea dessas colagens foi reunida na obra "Jazz - improvisos cromáticos e cadenciados", de 1947. Entre as obras da coletânea está um tema que foi inovado com a modificação do suporte, pois já havia sido feito em tela: “Nu azul”, de 1952. O recorte é livre de desenhos, moderno e mantém os mesmos interesses pelas cores fortes. A obra manifesta a técnica subjugada à criatividade deste grande artista.
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